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A Fazenda está localizada a 6 km do município de Belo
Vale.
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| Ocupa
uma área de cerca de 318 hectares que integram um interessante conjunto arquitetônico e
paisagístico. |

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| A fazenda Boa Esperança foi construída por escravos entre os anos de
1760 e 1780, para ser a faustosa residência do Barão do Paraopeba, Romualdo José
Monteiro de Barros, senhor de ricas lavras e fazendas de minerais em Congonhas do Campo. |
| Em
1830 o Barão de Paraopeba foi também presidente da Província de Minas. |
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| Teve
também participação na proclamação da "Independência do Brasil ", quando o
monarca D. Pedro I nela pernoitou levantando fundos para o significativo acontecimento do
dia 7 de Setembro de 1822. |
| Mas
não foi ele o único personagem célebre a passar pela Boa Esperança. Carlos Drummond de
Andrade também dormiu lá, chamou o lugar de "verdadeiro palácio" e se
emocionou com a capela. |
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| Situada de frente para a Serra, ao leste, onde na entrada uma varanda larga e
artística acolhe os primeiros raios de sol matinal, a sede da Fazenda Boa Esperança
conseguiu sobreviver, resistindo ao tempo e às intempéries, guardando os indícios da
opulência de outrora e mantendo o caráter do tratamento adotado para as construções
mineiras da época. |
| Em
seu pátio, logo à frente, bem plantadas, as centenárias e silenciosas sapucaieiras
escutam o tempo passar. |
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| Nele
percebe-se ainda os alicerces do que foi parte de uma das senzalas, e um portão, protegido por telhado encanchorrado por onde se
chega a uma estradinha de cavaleiros, antigo acesso principal da Fazenda. |
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| Obecendo ao tradicional partido com puxado em "L", a casa da
fazenda da Boa Esperança foi construída em um único plano, mais elevado, sustentada por burros e embasamento de pedras. |
| O
corpo principal da edificação, de forma retangular, bem ao esquema bandeirista,
apresenta numa primeira faixa, a varanda central, tendo aos lados a capela e o quarto de
hóspedes. |
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| Apresenta o mesmo tipo de acabamento das construções congêneres da época
- paredes de pau-a-pique rebocadas e caiadas de branco, piso de tabuado largo, forro de
madeira em gamela, arrematado por pequena cimalha, presente apenas nas 2 salas, esteiras
pintadas em diversas cores, nos demais cômodos. |
| O casarão possui 23 cômodos, salões de visitas e outros aposentos.
Há nos fundos outra varanda ao longo de uma série de dependências da casa. Nos fundos
do corpo principal da casa, há uma parede original formada, do meio para cima, de um
rendilhado de rótulos. Na fachada principal, janelas com folhas almofadadas por fora e
rebaixadas por dentro. |
| A
direita, fora dos limites da casa, na parte posterior, está o moinho, desativado,
praticamente em ruínas. Mais abaixo, na mesma direção, semi-encoberto pelo mato,
percebem-se também as ruínas do engenho de serra que, nos tempos áureos da Fazenda,
movimentava uma pequena usina. |
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| Nas senzalas, que chegaram a ter entre 800 e 1200 escravos, uma
separação. Na primeira delas, perto da casa grande, ficavam os escravos de confiança,
os charreteiros e os reprodutores. Isto mesmo, reprodutores, com a missão de perpetuar a
espécie. Na outra, lá pelos lados do Calandu (caminho de Ouro Preto), os escravos
rebeldes, que trabalhavam nas minas e dormiam amarrados. |
| Na
fazenda Boa Esperança havia uma valiosa ermida em imagens e decorações introduzidas
pelo Barão do Paraopeba, assim como vários de seus utensílios e outros patrícios
daquela época. |
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| Ao longo desses anos, ela veio sofrendo a ação das pessoas que
desconheciam seu valor. Fizeram um verdadeiro saque sobre os móveis da fazenda, hoje
espalhados pelos quatro cantos do país. Só restam lá um bacamarte, uma mesa e a capela.
No mais cômodos vazios, pedaços de louças dos tempos do barão e as duas sapucaias de
mais de 200 anos bem na frente da casa grande. |
| Mas
a obra prima da fazenda está na capelinha, onde estão os trabalhos de talha dourada
atribuídos ao artista Manoel da Costa Ataide. |
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| A pintura do forro representa a Ascenção do Senhor Jesus Cristo realizada
provavelmente em fins do século XVIII, como também os painéis laterais que apresentam
os seguintes temas: O Sacrifício do Isaac; Anunciação; Lava pés; Natividade; Santa
Ceia; e Cristo aparece aos apóstolos. Havia mais dois quadros com paisagens, dos quais
restam partes. Do lado do Evangelho há uma pintura parietal com o tema: "Dai de
beber a quem tem sede". |
| Possui um altar de estilo barroco banhado em ouro, feito pelo escultor
Francisco Vieira Servas (de São João Del Rey), tem um porta-missal de 1744 e um
crucifixo de origem controversa. Segundo alguns, é de Aleijadinho (a autoria não está
confirmada), e não apenas por ser de quem se supõe ser, mas por suas próprias
características, (como os joelhos sangrando) é uma raridade. |
| Mas
nem só de obras de arte e uma paisagem deslumbrante vive a Fazenda Boa Esperança. Existe
grande variedade de lendas e fatos reais. Propalam pela boca do povo, trazidos pela
tradição oral ou retirados de pessoas, parentes dos antigos moradores da fazenda. |
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| A fazenda foi construída segundo a lenda, por um empreiteiro de nome
desconhecido, que recebeu a quantia de 200 mil réis. Quando a obra estava concluída o
Barão mandou assassinar o empreiteiro e resgatou o dinheiro. Nas imediações da Fazenda,
ainda hoje é respeitado o local do assassinato, recebendo este o nome de Ponto da Cruz. |
| Outra
delas é a de escravo fujão, que numa de suas escapadas foi perseguido pelo Barão de
Paraopeba. Como castigo pela fuga, foi amarrado a um tronco e teve todos os dentes
arrancados a alicate. Esse escravo, juram, aparece por lá de tempos em tempos. |
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| Mas a assombração mais famosa é a do próprio barão. Conta a tradição
que ele era muito malvado com os escravos. Mandou açoitar muitos deles até à morte, por
esse motivo ele pena até hoje. Nas noites de Sexta-feiras de quaresma e véspera de São
João seu vulto atravessa a cidade, vestido de branco, montado num cavalo, arrancando fogo
nas pedras da rua, cumprindo sua pena. |
| A Fazenda teve vários donos depois do Barão. Por sucessão passou a
seus herdeiros, a outros e por ultimo aos senhores Antônio Pinto Ribeiro Júnior e
Geraldo Magela Pinto que a venderam ao Estado de Minas Gerais e, por este, foi doada ao
IEPHA/MG - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artistico de Minas Gerais (lei
n. 6.485 de 25 de Novembro de 1974), que resolveu tombar sua sede, todos os seus anexos e
terras, onde há pequenas matas, cursos dágua e cachoeiras, procurando assim manter
o seu aspecto paisagístico, além de conservar suas condições ecológicas. |
| A
fazenda está lá. Persistiu a humilhação, sofrimento, decadência. Persistiu ao tempo.
Agora enfrenta dias de esperança, conta com a ajuda do Patrimônio para se reabilitar. |
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