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Perguntar em Belo Vale pelo Manoel Messias de Almeida,
pouca gente vai saber. Somente, talvez, os seus parentes mais
próximos. Entretanto, pelo Leleco, o mestre em artesanato de
bambu, qualquer belovalense vai responder. Antes das dez horas,
ele pode ser encontrado na sua casinha lá no João Dantas.
Entre dez e onze, andando a pé, descalço, bem na beiradinha do
asfalto, a caminho do armazém do Geraldo da Maria. Depois de
uns dois ou três - ou - ou quatro, ou mais - goles da
tradicional cachacinha e uma "cochiladinha" na
calçada, toma o caminho de volta para casa. Nesta hora, numa
viagem mais longa. O caminho é o mesmo. Apenas, com um
pouquinho mais de "curvas".
Nunca se soube de qualquer confusão que tenha aprontado.
A arte em
trabalho com bambu, herdou de seu Pai (Sô Juca da Laje). No
princípio, fazendo balaios. De qualquer tamanho ou modelo. Há mais
de 40 anos, quando começou, os balaios eram importantes. Qualquer
casa tinha balaios. Pelo menos, um.
As encomendas chegavam aos montes. Mesmo com muitos outros colegas na
profissão, dava para se viver tranquilamente. Foi quando os belos
trabalhos do nosso Leleco "correram o mundo".
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Com o passar do tempo, o "balaieiro" Leleco virou o artesão
Leleco, o
artista Leleco. As peças, embora em menor quantidade, se multiplicaram em modelos.
Ainda hoje, com sua faquinha amolada, o nosso artista,
mesmo com os seus mais de 60 anos, consegue dar o seu
"recado". Além dos tradicionais "balaios de colher
milho", é capaz de construir qualquer objeto com as talas do
bambu. Basta, apenas, que lhe apresentemos um desenho. Um bom exemplo
são os canecos - ou copos - de bambu entrelaçado, que nos permitem
beber água sem entornar uma gota.
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Leleco faleceu aos 70 anos,
atropelado, na volta para casa, na tarde da sexta-feira Santa do
ano de 2003.
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Manoel
Míssias de Almeida
¶ 04/07/32
U 18/04/03 |
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Dejore / Deli - setembro
/2003
/2003 |
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