ÁUREOS TEMPOS...

Nos áureos tempos em qu eu era
Ainda um belo vale,
Meu vermelho ferro
Era promessa de ventura;
Que hoje não passa
De simples poeira,
Parda, pirracenta.

Nos áureos tempos em qu eu era
Ainda ambiente...
Esta serra que hoje,
Rasgada, grita
É o retrato do que chamam
De meio ambiente.

Áureos tempos...
A memória é simples folha seca;
Que seca, não é morta, 'q promessa de vida,
Neste vale que é belo,
Apesar dos seus.

Anda gente, vem cá!
Enferma estou...
Minha artéria já rompeu;
É poeira, bem sei,
Mas é sangue que se esvai...
   
Mas o ferro que ainda resta
Em minhas veias
É promessa de ventura
Que não se foi
Mas...que irá
Irá ?!

Anda gente!
Não posso privar
Tua prole
Da beleza
Que a sua infância viu,
E que a sua maturidade,
Débil,
Insiste em corroer.

Autor: ROGÉRIO CARVALHO DE CASTRO
Engenheiro Agrônomo - Servidor Público Federal (INCRA)